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Fortaleza tem 8,7% da população com anticorpos do novo coronavírus, o que significa que quase 230 mil pessoas já tiveram contato com a doença, incluindo aquelas que não desenvolveram sintomas. O número é mais de seis vezes o número de casos confirmados em todo o Ceará, considerando dados do IntegraSUS, do Governo do Estado. A informação foi apresentada ontem pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), que coordena o EPICOVID19-BR, maior estudo populacional sobre o coronavírus no Brasil.
Segundo o levantamento, Fortaleza é a quarta capital com maior proporção de pessoas com o vírus, atrás de Belém (15,1%), Manaus (12,5%) e Macapá (9,7%). O município com maior índice entre os pesquisados foi Breves (PA), com 24,8%. Crateús e Quixadá tiveram menos de 1% da população atingida, e Sobral, 1,8%. As cidades foram escolhidas juntamente com Fortaleza para a aplicação do estudo no estado.
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Mariangela Silveira, do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia da UFPel, explica que o alto percentual encontrado nas cidades do Norte significa que a pandemia está bem disseminada na população. "Isso demonstra que tem muita gente assintomática e com sorologia positiva, ou seja, pessoas que foram submetidas aos testes e que, mesmo sem os sintomas da Covid-19, reagiram positivo", aponta. De acordo com o estudo, de cada sete pessoas com o novo coronavírus, apenas uma sabe que está ou esteve infectada. "Isso é preocupante, pois as outras seis que não sabem da infecção podem transmitir o vírus para outras pessoas sem querer", completa.
Para Jônatas Santos Abrahão, professor de Virologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o índice alcançado por Fortaleza só evidencia que a população está suscetível e que a doença está se disseminando, sendo necessária a continuidade de medidas como o isolamento social para conter a escalada da pandemia.
"A imunidade de rebanho acontece quando as pessoas que se infectam adquirem anticorpos. Uma população só é considerada protegida de uma doença quando 90 a 95% foi imunizada, que é o índice da vacinação. Ter 8,7% de pessoas com anticorpos só aponta que a cidade está em contato com a Covid-19, não que esteja próximo de uma imunização natural", explica.
"Não dá para dizer: 'todo mundo vai pegar mesmo' e por isso, não cumprir o isolamento. O novo coronavírus causa a internação de uma parte das pessoas. Dessas, uma parte é internada em UTI, outra parte recebe ventilação e outra, morre. De 100 pessoas infectadas, quatro ou cinco vão a óbito. Se o vírus fosse liberado para circular entre toda a população brasileira, que é de 200 milhões, isso daria 10 milhões de mortes. Então é óbvio que não se pode esperar a imunização de rebanho, ou seja, a exposição generalizada ao vírus e a imunização natural, porque o número de mortes seria catastrófico e o sistema de saúde iria entrar em colapso", pontua.
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Segundo o pesquisador, ainda não é consenso que uma pessoa infectada não possa desenvolver a doença novamente. "Os estudos têm apontado que uns não pegam, mas também que outros adoecem de novo, ainda que com sintomas fracos, e podem inclusive transmitir", diz.
Entenda o que é imunidade de rebanho
A expressão “imunidade de rebanho” se refere ao efeito de proteção que surge em uma população quando uma percentagem alta de pessoas se vacinou contra uma certa doença. Por obra da “imunidade de rebanho”, mesmo quem não está vacinado fica protegido do patógeno causador da doença. Exemplo clássico de vacina que produz imunidade de rebanho quando 95% de uma população a recebeu: a vacina contra o sarampo. Com 95% das pessoas imunizadas, o vírus não circula mais, a doença desaparece e quem não pode tomar a vacina fica protegido

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