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Governadores do Nordeste condenam fala de Bolsonaro que estimula invasão a hospitais para filmar leitos

Em carta divulgada nesta sexta-feira, 12, os nove governadores do Nordeste criticam a fala do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), proferida nessa quinta-feira, 11, incentivando pessoas a invadirem hospitais públicos e filmarem leitos de coronavírus vazios. O capitão reformado falou, durante live, que "há ganho político" em cima dos dados da pandemia no Brasil e reafirmou que indicadores sobre mortes não são verdadeiros.

Segundo o texto assinado pelos governadores, a declaração "vai de encontro a todos os protocolos médicos, desrespeitando profissionais e colocando a vida das pessoas em risco, principalmente aquelas que estão internadas nessas unidades de saúde" O episódio foi classificado no texto como um "choque a todos". A carta é intitulada como "Não é invadindo hospitais e perseguindo gestores que o Brasil vencerá a pandemia"

"Você aí que tem um hospital de campanha perto de você, um hospital público, né. Arranje uma maneira de entrar e filmar. Muita gente tem fazido isso, mas mais gente tem que fazer para mostrar se os leitos estão ocupados ou não", disse Bolsonaro em live no Facebook na noite de quinta-feira, 11. 

Os chefes de Estado do Nordeste ponderam ainda que há uma postura de "negacionismo como prática permanente" do Governo Bolsonaro no enfrentamento à pandemia da Covid-19 no Brasil.

Na atualização desta sexta-feira, o País passou o Reino Unido no número de mortes pela doença e se tornou o segundo país com mais óbitos no Mundo. São 41.828 mortos e 828.810 casos confirmados de coronavírus no Brasil.

"O presidente Bolsonaro segue, assim, o mesmo método inconsequente que o levou a incentivar aglomerações por todo o país, contrariando as orientações científicas, bem como a estimular agressões contra jornalistas e veículos de comunicação, violando a liberdade de imprensa garantida na Constituição", diz trecho do posicionamento dos governadores do Nordeste.

Operações policiais

A carta demonstra ainda preocupação com as recentes operações policiais deflagradas pela Polícia Federal (PF) no sentido de investigar gastos públicos durante a pandemia. O texto fala em "ameaças políticas reiteradas e estranhos anúncios prévios de que haveria operações policiais" e afirma que intensificaram-se ações, inclusive em casas de governadores, "sem haver sequer a prévia oitiva dos investigados e a requisição de documentos".

No último dia 1º de junho, a Polícia Civil da Bahia deflagrou a chamada Operação Ragnarok, que prendeu três suspeitos de fraudar a venda de respiradores para governos do Nordeste. Quinze mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Salvador, São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Fortaleza não foi alvo das investigações.

"É como se houvesse uma absurda presunção de que todos os processos de compra neste período de pandemia fossem fraudados, e governadores de tudo saberiam, inclusive quanto a produtos que estão em outros países, gerando uma inexistente responsabilidade penal objetiva", pondera carta. Os chefes estaduais afirmam que são inteiramente a favor de investigações porém repudiam "abusos e instrumentalização política de investigações".

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